O calor vence
janeiro 5, 2012
Como todo personagem maléfico, o calor vence. Momentaneamente, mas vence. Se fosse uma pessoa, o calor soltaria gargalhadas de vilão de Sessão da Tarde enquanto as pessoas destrincham suor e consomem garrafinhas de água mineral por aí. O calor é agressivo e despudorado: o frio permite que se o evite, basta usar uma boa lã. O sol a pino manda às favas qualquer sistema de proteção que se lhe possa opor.
Mas um dia vem o inverno, esse verdadeiro cavaleiro Jedi, e o põe no seu devido lugar.
Pelo menos até o próximo verão.
A sabedoria de Bandeira de Mello
janeiro 5, 2012
O grande professor, a grande lição.
Acho que a sabedoria está na simplicidade e, não raras vezes, nas coisas óbvias.
Michel Teló all the way
janeiro 4, 2012
Leio uma crítica naturalmente pretensiosa de um integrante do não menos pretensioso Los Hermanos ao Michel Teló.
Los Hermanos, para quem não sabe, é um conjunto musical de letras suaves, melódicas e até bonitas, mas que em outro contexto que não fosse o establishment da zona sul carioca poderia muito bem ser tido como brega. Não faz música ruim, realmente não. Acho. Costumam ter pitis quando perguntados sobre Anna Júlia, a sua música de trabalho roqueira, porque eles têm uma obra “muito mais ampla” e precisam, desesperadamente, ter, mostrar, exibir, ser, borbulhar conteúdo por todos os poros. Não são mal intencionados.
Mas representam muitas das piores coisas que há nessa classe média.
Nunca entendi aquela orquestração patética para que todos os seus integrantes tenham barbas enormes – e pior, querendo dar a impressão de que não há orquestração, combinação nisso. Que é espontâneo. É o marketing do “tenho algo a dizer”. Algo como um Marcelo D2 sem as roupinhas de gangsta.
Um dos integrantes da banda pede ironicamente a Michel Teló que passe o ano inteiro fora do país, em turnê, como “precaução” para sua cabeça. A musicalidade de Teló é inegável: a música “pega”, e isso é um mérito do artista.
Mas mesmo que fosse uma porcaria, eu pergunto: Rihanna é bom? Lady Gaga é realmente bom? Como diz o cara daquele filme “Be Cool”, Jennifer Lopez é tão mixada que “eu e você poderíamos ser Jenny from the block”. Independentemente de gostarmos mais ou menos desses artistas estrangeiros, não os tratamos como se representassem uma questão cultural, de maior ou menor inteligência, preparo, ou, pasmem, nível cultural. Com respeito a quem gosta de música, mas isso não define nível de ninguém. Hitler amava Wagner.
Pelo menos o Michel Teló é espontâneo na sua música popular. Não fica refinando palavras difíceis e expelindo ironias mal formuladas por aí.
E fora que faz a barba.